CANA-DE-AÇÚCAR
  • Área e produção da cana-de-açúcar (cana sacarina)
A cana-de-açúcar (cana sacarina) é uma espécie agrícola pertencente à família das Gramíneas, ao género Saccharum, espécie officinarum.
A cana sacarina foi introduzida na ilha da Madeira por volta de 1425, as primeiras estacas importadas da Sicília por ordem do Infante D. Henrique, ou seja, logo após o início da sua colonização. A sua adaptabilidade tornou esta cultura, comparativamente com outras meramente de sobrevivência (como o trigo e algumas hortícolas conhecidas na época), bastante apetecida como vetor de criação de uma riqueza importante.
Em 1882, a cana-de-açúcar foi atacada com tal violência que chegou quase a desaparecer por completo em 1884, 1885 e 1886.
A introdução de novas variedades possibilitou a reconstrução dos canaviais que, a partir de 1890, se expandem novamente, alimentando a indústria açucareira e o fabrico de rum (aguardente de cana) e álcool na Região Autónoma da Madeira. Para o agricultor, a cana apresentava ainda a vantagem de ter uma dupla aptidão assinalável, podendo ser usada como forrageira, pelo aproveitamento das suas folhas, ricas em elementos nutritivos, para alimentação animal, exatamente numa época em que a indústria de lacticínios se encontrava pujante na Madeira.
Nos finais da década de 30 do século passado, o plantio de cana sacarina, que ocupava uma área de 6.500 hectares (ha), é reduzido, por delimitação de zonas agrárias, estimando-se, em 1952, uma superfície total de 1.420 ha. A produção média, em 1952, considerava-se limitada a 30 toneladas (t) por ha.
A partir de 1952 alargaram-se um pouco mais as áreas e em 1955-56 houve novo e apreciável aumento de plantação.
Até finais da década de 80, do século passado, constatou-se um abaixamento substancial da área de cultivo, essencialmente relacionado com o encerramento de diversas unidades industriais de grande importância para o escoamento da produção. Efetivamente este facto levou a um colapso da cultura, por falta de vias de escoamento, ficando a cultura circunscrita a pouco mais de uma centena de hectares de área (em 1986 era de 119,9 ha, decrescendo rapidamente para 90,3 ha, em 1988). Para além disso, os agricultores começaram a ter outras apetências culturais, nomeadamente para a bananeira, hortícolas, fruteiras tropicais e subtropicais, vinha, etc.
Atualmente (2015) a área ocupada pela cana-de-açúcar é de cerca de 135 ha, a que corresponde uma laboração que ronda as 8.824 t.
A cana-de-açúcar, embora sendo considerada extensiva, é praticada em pequenas explorações, usualmente pulverizadas (normalmente a área total das explorações não ultrapassa os 5.000 m2, frequentemente divididas em 5-6 parcelas).
A produtividade varia ainda muito, indo desde as 40 ton/ha, em canaviais ainda antigos a 120 ton/ha, em canaviais instalados mais recentemente. Em termos de área, os concelhos mais importantes são os da Ponta do Sol e Machico (com uma importância relativa de 29% e 28%, respetivamente), seguidos do concelho de Santana (14%) e Calheta (8%), totalizando 79% da área de influência da cultura. Os restantes concelhos têm uma importância menor, residual.

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  • Destino da produção
Desenvolveu-se a cultura da cana-de-açúcar em 1846 com a produção de rum que se generalizou em toda a ilha, tendo-se montado fábricas em quase todas as povoações. Ajudou este impulso, em 1856, a produção de açúcar, mantendo-se florescente a cultura da cana-de-açúcar até 1882, data do aparecimento do terrível flagelo que maior dano causou nos canaviais. A substituição de castas e a intensificação do fabrico de açúcar e rum deram um novo período à cultura da cana até que, em 1918, com a redução de fábricas, e, mais tarde, com o encerramento de quase todas, como medida preventiva contra o perigo do alcoolismo, sofreu esta cultura mais uma crise diminuindo bastante a sua produção.
Atualmente, toda a produção se dirige para a fabricação de mel de cana e de rum agrícola (produzido exclusivamente por fermentação alcoólica e destilação do sumo de cana-de-açúcar “guarapa”), tradicionalmente designado, na RAM, por aguardente de cana, com aromas diferenciados e únicos, é reconhecido por diversos provadores especializados como produto de qualidade incontornável.
No ano de 2015, a produção de rum agrícola foi de aproximadamente 2.755,3 hl (a 100 % vol.), e a de mel de cana de 1.378,5 hl (195,8 t).
 
  • Quantidade total de cana-de-açúcar produzida e transformada em rum agrícola e mel de cana (toneladas)
ANO DE PRODUÇÃO
Quantidade de cana transformada (t)
2010
5.642,9
2011
5.472,0
2012
5.720.5
2013
5.824,6
2014 7.586,3
2015 8.824,0